Remédio para emagrecer: vale a pena?

Remédio para emagrecer: vale a pena?

Aderir a medicamentos para perda de peso deve ser uma alternativa apenas quando for apresentada por um médico

A maioria das pessoas já sabe que, para emagrecer de forma saudável, o melhor caminho é unir uma alimentação balanceada à prática de atividades físicas. Mas, não há como negar: muita gente gostaria de poder contar com a ajuda de uma “fórmula mágica”, que fizesse com que a perda de peso ocorresse de forma mais rápida e sem grandes sofrimentos!

E é, geralmente, pensando nisso que algumas pessoas acabam recorrendo aos remédios para emagrecer. Mas será que, de fato, eles proporcionam um emagrecimento seguro? Quais são os riscos de contar com a ajuda desse tipo de medicamento? Enfim, será que vale a pena apostar neles?

Abaixo você confere as principais informações sobre os remédios para emagrecer e a opinião de um endocrinologista sobre o assunto.

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Quais são os medicamentos que propiciam o emagrecimento?
Ao falar sobre remédios para emagrecer, a sibutramina é, provavelmente, o primeiro nome que vem à mente das pessoas. Durante um período, sua venda ficou proibida, mas, agora ela pode, novamente, ser comprada em farmácias, desde que com prescrição médica.

Fernando Moreno Sebastianes, médico endocrinologista e metabologista, com PhD pela USP-São Paulo, explica que, além da sibutramina, existe apenas o orlistat (mais conhecido como Xenical) aprovado para perda de peso no Brasil.

O endocrinologista destaca que algumas medicações, muito utilizadas no passado, como femproporex, anfepramona e mazindol, foram suspensas do mercado há alguns anos e não são mais vendidas no Brasil.

Ainda de acordo Sebastianes, há também muitos fitoterápicos que prometem ajudar na perda de peso, embora, na grande maioria das vezes, não tenham sido submetidos a estudos adequados para confirmar suposto benefício.

“Em outros países, existem mais duas opções para tratamento da obesidade: a lorcaserina e também uma associação em um mesmo comprimido de topiramato e fentermina. Porém, esses medicamentos ainda não são liberados para venda no Brasil”, acrescenta Fernando Sebastianes.

Como agem os remédios para emagrecer?
Fernando Sebastianes explica que a sibutramina é um medicamento com ação no sistema nervoso central, agindo principalmente no controle da saciedade. “A maioria dos medicamentos age dessa forma, embora em pontos diferentes das complexas vias que regulam a fome e a saciedade”, diz.

O endocrinologista acrescenta que a maioria dos medicamentos tem efeito mínimo de “acelerar o metabolismo”, não sendo esse o mecanismo principal pelo qual atuam.

“O orlistat tem um modo de ação um pouco diferente, onde cerca de 30% das gorduras ingeridas são eliminadas nas fezes. Esse medicamento não aumenta a saciedade (‘não reduz o apetite’)”, explica o profissional.

Medicamentos que têm o emagrecimento como efeito colateral

FOTO: THINKSTOCK

Vale destacar que existem medicamentos que podem ter como efeito colateral o emagrecimento. “Porém, eles não são aprovados exclusivamente para perda de peso, mas, sim, para tratamento de outras condições”, diz Sebastianes, que cita alguns exemplos:

Quem sofre de enxaqueca com crises frequentes e tem excesso de peso pode se beneficiar do tratamento com topiramato, uma vez que ele ajuda na prevenção das crises de enxaqueca e pode auxiliar na perda de peso.
Quem é muito ansioso ou depressivo e tem excesso de peso pode se beneficiar, por exemplo, da bupropiona.
Quem tem diabetes mellitus e dificuldades para emagrecer pode se beneficiar da metformina, liraglutida, ou mesmo de um novo medicamento chamado dapaglifozina.
O endocrinologista ressalta que uma eventual prescrição de qualquer uma dessas drogas para tratamento apenas de obesidade caracteriza o uso off-label da medicação (prática da prescrição de medicamentos registrados para uma indicação não incluída na bula do produto), permitido pelo CFM, mas que deve ser bem explicado ao paciente pelo médico.

“Essas são apenas algumas opções que dispomos. Mas vale destacar que é fundamental sempre consultar um médico endocrinologista antes de iniciar o uso de qualquer medicação com finalidade de perda de peso”, acrescenta Sebastianes.

Efeitos colaterais dos remédios para emagrecer
De acordo com Sebastianes, a maioria dos medicamentos é relativamente segura desde que prescrita após uma boa avaliação médica. “Porém, como qualquer medicamento, efeitos colaterais podem ocorrer”, diz. Ele cita alguns exemplos abaixo:

Cefaleia
Alteração do hábito intestinal (constipação ou diarreia)
Palpitações
Aumento da pressão arterial
Insônia
Boca seca
Irritabilidade
Alteração de humor
Depressão
Ansiedade
Formigamentos
Manchas na pele
Alteração de memória
O endocrinologista acrescenta que, em raríssimos casos, até convulsões são efeitos colaterais possíveis de ocorrer com um ou mais desses medicamentos. “Por isso, é importante a avaliação médica antes de usá-los”, destaca.

Como é possível comprar os remédios para emagrecer

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A maioria dos remédios para emagrecer tem sua venda controlada, ou seja, eles só são vendidos com receitas médicas. É o caso da sibutramina e o do orlistat.

Já os fitoterápicos não requerem receita médica. “Porém, sabemos que eles também podem gerar efeitos colaterais. Por exemplo, quem tem arritmias deve evitar chá verde, uma vez que o mesmo pode agravar o quadro. Por isso, não incentivo o uso de nenhum desses medicamentos sem antes consultar um médico”, destaca o endocrinologista Sebastianes.

Em quais casos os remédios para emagrecer são indicados?
Fernando Sebastianes explica, de forma geral, em quais casos os medicamentos para emagrecer são indicados.

Obesidade: esta é uma doença, assim como o diabetes mellitus, cujo tratamento é baseado na elaboração de um plano alimentar, atividade física e, em alguns casos, medicamentos e até mesmo a cirurgia bariátrica.

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IMC (índice de massa corpórea) > 30 kg/m2: o endocriologista explica que, habitualmente, os medicamentos são indicados em casos de pacientes com IMC (índice de massa corpórea) > 30 kg/m2, com dificuldade de perda de peso, apenas com melhora na alimentação e exercício físico.

Doenças associadas à obesidade: a presença de doenças associadas à obesidade (diabetes, hipertensão, apneia do sono etc.) pode fazer com que o tratamento medicamentoso seja indicado em pacientes com IMC até menor do que 30.

Enfim, vale a pena aderir aos remédios para emagrecer?
Muitas pessoas comentam que têm dificuldades para emagrecer, por isso, querem logo aderir aos remédios que prometem uma perda de peso mais rápida. Mas será que este é mesmo o caminho?

Ao menos que a pessoa se enquadre em um dos casos citados acima (seja obesa, esteja com IMC superior a 30kg/m2, sofra com alguma doença associada à obesidade), a recomendação, geralmente, é seguir uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas para emagrecer. Isso é, sem contar com a ajuda de medicamentos, mas, sim, com a orientação de um nutricionista e, de preferência, de um educador físico.

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Muitas vezes, o desejo de emagrecer se deve apenas a uma questão estética. Ou seja, a pessoa quer perder alguns (poucos) quilos porque não está se sentindo bem com o seu corpo. Porém, nesses casos, dificilmente os medicamentos são recomendados. O melhor caminho, sem dúvidas, é procurar um nutricionista e passar a seguir hábitos de vida saudáveis.

Vale ressaltar ainda que nem sempre os remédios para emagrecer oferecem resultados duradouros, principalmente quando a pessoa não entende que – paralelamente ao uso do medicamento – precisa mudar seus hábitos alimentares para alcançar bons resultados.

Não são poucos os relatos de pessoas que tomaram determinado remédio com essa finalidade por certo tempo e, logo depois, recuperaram o peso ou até ganharam mais quilos do que haviam perdido durante o regime.

Por isso, vale ressaltar, uma pessoa nunca deve aderir a um medicamento para emagrecer sem consultar um médico antes. Esta deve ser uma alternativa apenas quando for apresentada por um profissional.

“Meu conselho às pessoas que têm dificuldades para emagrecer, e pensam em aderir aos remédios, é que procurem um médico endocrinologista que poderá avaliar melhor caso a caso”, orienta Sebastianes.

O endocrinologista acrescenta que atualmente existem, inclusive, meios mais precisos de se analisar quanto de peso uma determinada pessoa precisa emagrecer. “Através, por exemplo, do exame de bioimpedância é possível aferir a quantidade de gordura, água e musculatura corporal. Atingir um bom peso significa atingir uma boa composição corporal, com níveis adequados de gordura e de músculo. Dessa forma, é possível realizar um tratamento mais personalizado para a necessidade de cada paciente e, conforme a história médica atual, medicamentos podem ou não ser indicados”, finaliza Fernando Sebastianes.

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